08/01/2026 17:31 - Destaques

Agricultores franceses desafiaram a proibição do governo e entraram em Paris nesta quinta-feira (8) a bordo de tratores, ocupando áreas próximas à Torre Eiffel e ao Arco do Triunfo. A mobilização, classificada como “ilegal” pelo Ministério do Interior, visa pressionar contra a assinatura do tratado de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, prevista para ocorrer na próxima segunda-feira.
O setor agrícola francês teme que a criação da maior zona de livre comércio do mundo inviabilize a produção local diante da concorrência sul-americana.
O Conselho da União Europeia deve votar o acordo nesta sexta-feira. Apesar da oposição frontal da França e da Irlanda, a tendência é que a maioria dos 27 Estados-membros aprove o texto, permitindo que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, firme o compromisso.
A Itália, que anteriormente apoiava o bloqueio francês, sinalizou que aceitará o tratado após novas concessões de Bruxelas ao setor agrário europeu. Internamente, o governo de Emmanuel Macron sofre pressão da oposição conservadora, que ameaça uma moção de censura caso o país não consiga barrar a proposta.
Desigualdade de padrões e crise sanitária
O principal argumento dos produtores franceses é a disparidade nas normas de produção. Pecuaristas e produtores de grãos alegam que as exigências ambientais e sanitárias europeias são muito mais rígidas que as do Mercosul, o que torna a carne, o arroz e a soja da Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai imbatíveis em preço.
Somado a isso, os agricultores protestam contra a gestão governamental de doenças animais, como a dermatose nodular bovina, exigindo vacinação nacional em vez do abate obrigatório de rebanhos inteiros.
Repressão e bloqueios em pontos sensíveis
Para conter o avanço dos manifestantes, o Ministério do Interior proibiu a circulação de tratores em sedes administrativas e no mercado de Rungis, principal centro de abastecimento da capital. Cerca de 100 tratores conseguiram acessar o centro de Paris, mas centenas de outros permanecem retidos pela polícia nos portões da cidade.
Além da capital, sindicatos como a Coordenação Rural mantêm bloqueios em estradas no sudoeste e leste do país, atingindo também depósitos de combustível em uma tentativa de asfixiar a logística nacional até que o decreto seja revisto.
Correio do Povo
Fonte: Correio do Povo
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