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<figure class="image"><img src="https://clicemfoco.com.br/admin/uploads/noticias/cdddbbd85d60ae34f386d9b716848e13.jpg"></figure><p>Sob a ameaça do fenômeno El Niño, a produção gaúcha de trigo, canola, cevada e aveia branca neste ano deverá totalizar 3,733 milhões de toneladas, volume 22,15% inferior em relação ao de 2025. A área plantada com as quatro culturas no Rio Grande do Sul é projetada em 1,575 milhão de hectares, o que corresponde a uma redução de 10,76% na mesma base de comparação.</p><p>As estimativas iniciais para a safra de inverno 2026 foram apresentadas nesta segunda-feira (22) pelo diretor técnico da Emater/RS-Ascar, Mateus Soares da Rocha, em evento na Capital transmitido pelo canal da empresa de assistência técnica no Youtube.</p><p>Para o levantamento, foram coletados dados em propriedades rurais de todo o Estado de 4 de maio a 16 de junho.</p><p>Responsável pela maior parte da safra, a produção de trigo é projetada em 2,199 milhões de toneladas, uma queda de 36,39% frente ao ciclo passado. A Emater estima que a área de cultivo do cereal recue 30,18%, para 814 mil hectares, e a produtividade esperada é de 2.701 quilos por hectare, volume 8,98% menor que o colhido em 2025.</p><p><strong>Canola na contramão</strong></p><p>Em contrapartida, a safra de canola tende a dobrar. A área cultivada deve crescer 102,64% em comparação a 2025, somando 353.397 hectares, e a colheita prevista é de 571.975 toneladas, um crescimento de 100,35% na comparação entre as duas safras. Para a aveia branca, a Emater/RS-Ascar estima diminuição de 1,38 % na área plantada, que deve somar 387.697 hectares, e de 3,79% na produção, que cairia para 900.221 toneladas. Também são antecipados números menores para a cevada. A expectativa é que as lavouras do cereal atinjam 20.320 hectares e produzam 61,369 mil toneladas, o que indica queda de 36,52% e 47,07%, respectivamente, ante a safra 2025.</p><p><strong>Plantio de Carinata é estimulado</strong></p><p>Uma novidade na apresentação das estimativas iniciais da safra de inverno é a carinata, oleaginosa da família da canola que é usada na produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e vem sendo estimulada pela Emater/RS-Ascar como uma alternativa de diversificação. Nesta safra, a cultura deve ocupar 12.365 hectares no Estado, a maior parte nas regiões de Santa Rosa, Ijuí e Bagé.</p><p><strong>Motivos para a retração</strong></p><p>Ao comentar as projeções, o diretor técnico da Emater/RS-Ascar associou o cenário de retração na triticultura a uma combinação de fatores de desestímulo, como o clima adverso, as restrições de crédito rural e o alto endividamento dos agricultores.</p><p>“O produtor fica na insegurança com a cultura do trigo, que tem a característica de ser uma cultura mais delicada (em termos de) questões fitossanitárias. E estamos passando por um cenário de insegurança muito grande em crédito rural, a gente vê o produtor mais descapitalizado”, destacou Rocha.</p><p>A orientação ao setor, enfatizou ele, é que busque assistência técnica para enfrentar o momento atual com o suporte adequado.</p><p><strong>Fenômeno climático</strong></p><p>Na apresentação dos dados, o coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Flávio Varone, reforçou o alerta de que o El Niño representará “condições desafiadoras” para a agricultura.</p><p>Segundo Varone, os modelos de previsão climática sinalizam a tendência de um fenômeno forte ou muito forte, marcado por chuvas acima da média histórica a partir de julho e frentes frias mais curtas. O impacto deve ser visto principalmente durante a primavera.</p><p>“Isso preocupa porque a primavera já é chuvosa em condições normais e o El Niño funciona como um ‘combustível’ a mais nesse sentido; ele carrega mais umidade para dentro do Estado e intensifica esses eventos, que podem ser mais severos”, explicou.</p><p><strong>De olho no clima</strong></p><p><strong>Como será o inverno</strong></p><p>El Niño no fim da estação</p><p>Precipitação superior à média</p><p>Temperaturas superiores à normal</p><p><strong>Como será a primavera</strong></p><p>El Niño (probabilidade alta para evento forte ou muito forte)</p><p>Precipitação superior à media</p><p>Temperaturas superiores à normal em todo o RS</p><p>Sem previsão de geadas tardias</p><p><strong>A safra de inverno</strong></p><p>Temperatura e umidade acima da média: doenças</p><p>Excesso de chuva: impacto na qualidade do grão e na colheita</p><p><strong>A safra de verão</strong></p><p>Atraso na semeadura</p><p>Alta temperatura e umidade: doenças</p><p>Excesso de chuva: doenças, operação no campo dificultada e diminuição da luminosidade</p><p>–</p><p>Fontes:<i> agrometereologista Flávio Varone / </i>Patrícia Feiten / Correio do Povo</p>
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